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Texto-poema para o artista visual
Mateus Morbeck, 2020.

azul petróleo

as ondas iguais, diversas no tempo
vindas e idas coincidentes
o mar repete-se costumeiramente com
nomes específicos para a mesma água
a areia esfoliava o vento, soprando a maresia

preso à espuma, o sal

imparável
a vida se apresenta no hábito
a repetição se torna novidade
a repetição se torna diferença
o outro do mesmo

nas horas marcadas pelos algarismos
era dia
agora noite

depois do passado o futuro é presente
os números repetidos
as marolas palimpsestos

em tudo a reincidência metastática
contadas 1+1+6 = 8
o looping
o interminável

o toque entre as superfícies e
a aderência das substâncias
decalques da infinitude
repetições das águas, ondas, números

do dano

fotos-contato, fatos-sudário
múltiplos reflexos de um único espelho

amiúdes repetições, mínimas pessoas
de todos os lados, impregnadas
morte, dúvida, vontade e esperança

o horizonte fixo, os olhos arregalados
e um escárnio institucional
contumácia evidente
tragédia ou crime?

o peso-morto a balbuciar vazios
embora guardiões se levantem

a pele salinizada arde
xawara, calor, horror

amor

ponteiros inalterados, suspensos
mesmidade sem fim
repetidas diferentes horas e cores
de petróleo e mar
a prova dos nove conclui-se cabal nas
vindas e idas coincidentes
as ondas iguais, diversas no tempo

 © Fábio Gatti

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